quarta-feira, abril 2

Sobre um companheiro cor de laranja


Acordo pela manhã e ele já vem me dizendo o que eu quero ouvir. Sussurra bem devagarinho, meu desjejum. Pão e café. Queijo branco e biscoito. Ele é mais. Me aconselha a fitar e deitar - eu o faço. Me desmancha quando fala que o que eu sou ainda vai me levar além - eu derreto. Quando estou no trabalho penso no que me diria. E quando chego em casa, desamparada e cansada, ele se deita paulatinamente em minhas mãos, olha o anel que brilha em meu dedo, me poe pra dormir dizendo:


"O destino quis que a gente se achasse, na mesma estrofe e na mesma classe, no mesmo verso e na mesma frase."


Boa noite, Leminski. 

3 comentários:

  1. Leminski é o terapeuta da poesia. Esse livro que você deve estar lendo deve ser o Toda Poesia, né? É bem bacana a coletânea reunida.
    Sugiro que você leia Leminski em prosa também, ele explora a mente humana de um modo bem sincero.

    beijoca

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  2. Acho que todos os tipos de artes deveriam estudar Leminski. Ele é um escritor que edifica a palavra. Aliás, a desconstrói. O tipo de literatura que ele faz, na verdade, forma uma arquitetura gramatical de "descomposições", uma escultura (por assim dizer).

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